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gatos e namorido me acordam com ronrom e beijos, café da manhã delícia de iogurte com granola, friozinho de montanha soprando por aqui, assistindo the rite of spring (Le Sacre du Printemps) do stravinsky coreografado pelo maurice béjart (agora quero ver o original do Nijinski) - absolutamente encantada com a história e a música, ele fez essa composição com a minha idade!, resposta de um lugar em que eu fiz entrevista me chamando para a segunda fase do processo seletivo (yay!), banho, dentista, body combat, panquecas bolonhesa no jantar? depois Arquivo-X e namorar, namorar, namorar.

thriller michaelthriller – michael jackson

thriller bettythriller jacket – Betty

O ano é 1986 (mas pode ser 87, claro). Morávamos em uma casa simples de madeira, com um quintal gigante que tinha um pé-de-amora, onde eu gostava de passar as tardes de verão com a língua azul de tanto comer amora no pé. Eu tinha gatos e bonecas, mas brincava bastante sozinha. No banheiro, o abridor de chuveiro era de vidro facetado – e quando eu ia tomar banho eu achava que estava mergulhando em uma cachoeira atrás de um diamente perdido. E nessa atmosfera, eu vivi boa parte da minha infância.

Nós tínhamos uma vizinha, a Cris, que instantaneamente se tornou a melhor amiga da minha irmã. O quintal dela era 2 vezes maior que o nosso, com vários pés-de-fruta (abacateiro, mangueira, laranjeira). E no verão de 86 (ou 87) eu tinha 7 anos – ou 8 – e passamos a maior parte do tempo sentadas na grama embaixo do abacateiro, tomando picolé e ouvindo Michael Jackson, do qual Cris era fã. Naquela época a Tata (minha irmã) ouvia RPM (e ela que mandava na vitrola de casa) então era legal ouvir outra coisa que não fosse Olhar 43.

Nós entrávamos no quarto de hóspede pra ficar deitadas na cama ouvindo Thriller em vinil. Mas elas sempre, sempre, no final da música, quando fica aquele cara falando com aquela risada no final, me trancavam no quarto com a luz apagada. Imagina meu pânico. Eu gritava tanto, tanto. Pra quem via diamante dentro de uma caverna atrás de uma cachoeira no chuveiro, eu claramente via os zumbis dentro do quarto comigo.

E foi disso que eu me lembrei ontem no mercado quando comprávamos um Pacu enorme pra fazer peixe espalmado. Eu estava com uma caixinha de castanhas do pará na mão quando o Gio me chamou e disse que ele havia morrido. Fiquei triste. Acho que ela disse bem, que “(…)É sempre difícil falar do Michael Jackson. Porque tornou-se mais importante a relação que as pessoas tem com ele. O tanto de significado que colocaram. Enfim. Dizem que a música ficou esquecida em meio aos escândalos. Eu digo que não é isso. Eu acho que ele ficou esquecido no meio do tanto de opiniões que temos a respeito dele.(…)”. É uma perda imensurável pra cultura pop, não só americana não – sem fazer  juízo de valor.

O clipe de Thriller de 13 minutos, aqui.

Então, qualquer um que me conheça ainda que remotamente, sabe que sou absolutamente apaixonada pela França. Música, gastronomia, moda, cinema e principalmente a Língua Francesa, a mais bela entre todas as outras. Queria ser francesa, pra me vestir bem naturalmente sem saber (e muito menos ligar pra isso), ter a Carla Bruni como primeira-dama, comer pain perdu (parecido com a nossa rabanada) e ter aprendido au claire de la lune em vez de atirei o pau no gato. E como esse é o Ano da França no Brasil, vou fazer uma série de posts homenageando esse país que estranhamente amo (estranhamente porque ainda não conheço). E pra começar, um post do ótimo Petit Journal de la Port Doreé, escrito pela Amanda, que mora há 2 anos em Paris, é jornalista, mestranda de geopolítica na Universidade Paris 8.

Top 10: expressões francesas

Por Petit Journal de la Porte Doreé

10- Shepa (pronuncia-se ‘chepá’)
Algo do tipo: eu não sei

Shepa é a forma coloquial de dizer je ne sais pas, ‘não sei’ em português. Eu sempre ficava na duvida entre falar um ou outro e acabava saindo um cepá, que não quer dizer muita coisa, só entregava de vez o meu embaraço com o francês. Essa palavra é da mesma categoria do chuí, que é o diminutivo de je suis (eu sou/estou). Esse é o tipo de expressão que te ferra quando você sai de um curso de francês, onde aprende toda a linguagem formal (para não dizer artificial) e todas as conjugações de verbos, mas que quando encara a vida de verdade se sente super frustrado por não conseguir entender uma palavra do que as pessoas falam, nem as coisas mais simples.

9- Bon courage (pronuncia-se ‘boncurraj’)
Algo do tipo: boa sorte

Ela nao gosta dessa palavra. Bon courage é uma expressão de compaixão, onde a pessoa mostra solidariedade, mas não vai te ajudar (ou porque não pode ou porque não quer mesmo). É um apoio moral. Quando fomos ao Brasil pela ultima vez, meu namorado perguntou se podia dizer ‘coragem’ à caixa do supermercado na hora de ir embora, coisa que ele faz na França. Imagina, acho que a pessoa ia se sentir ofendida e pensar, poxa, meu trabalho é tão ruim que estão tentando me consolar. Atenção, não estamos falando de boa sorte, que é bonne chance. Seu amigo tem que estudar pra uma prova? Bon courage. Ele vai fazer a prova agora? Bonne chance!

8- Franchement (pronuncia-se ‘frranchman’)
Algo do tipo: francamente, sinceramente

Quando não falava francês e ouvia as pessoas conversando na rua, sempre ouvia um tal de French-man e pensava quem era o tal francês que eles estavam falando. Isso porque lingua estrangeira para mim era sinônimo de inglês, então inconscientemente eu procurava algum significado na lingua que eu conhecia). Franchement, acho que francês é bem mais dificil de aprender que inglês.

7- Pas mal (pronuncia-se ‘pá mal’)
Algo do tipo: legal. Ao pé da letra: não é tão ruim

As vezes os franceses são pessoas contidas. Em vez de dizerem muito bom!, excelente!, magnifico!, eles dizem simplesmente, pas mal. Eu até me ofendia, me esforçava pra fazer uma coisa e no final… O bolo que você fez? Pas mal. O presente que você me deu ? Pal mal du tout! (variação super empolgada do pas mal. Poxa vida, vamos ousar um pouquinho, meu povo!

6- ça va aller (pronuncia-se ’sa va alê’)
Algo do tipo: vai ficar tudo bem

Essa é uma expressão de consolo quando alguém esta numa situação dificil ou quando dita pela propria vitima, quer dizer que ela não esta bem no momento, mas vai ficar. Uma vez, quando eu estava tomando conta de um bebê de 1 ano e meio e da sua irmã de 6, o bebê se aproximou dramatico dizendo, dodoi, dodoi. A irmã, depois de examinar o braço dele, sentenciou: não Sacha, isso não é um dodoi, é so uma meleca! E completou irônica, ça va aller! Outra vez eu estava correndo no parque quando vi um cara se estabacar no chão. Perguntei se tava tudo bem, ele respondeu sem graça, ça va aller

5- Quoi (pronuncia-se ‘quá’)
Algo do tipo: desconhecido

A giria das girias. Ela é um daqueles vicios de linguagem, que não têm nenhuma função util na frase, esta ali apenas para enfeitar. Podemos excaixa-la praticamente no fim de qualquer frase, mas dê preferência para aquelas onde você se mostra um pouco mais revoltado ou quer mostrar seu ponto de vista. Essa palavra é completamente dispensável, quoi.

4- Coucou (pronuncia-se ‘cu-cu’)
Algo do tipo: oie!

Esse eu uso muito com as criancas. Toda vez que um boneco faz uma aparição repentina, ele tem que dizer coucou! Mas não é so para crianças não, é uma forma carinhosa se dizer oi, em qualquer idade. So não vai chegar pro chefe e dizer, coucouchefe! Não pega muito bem. Sabe aquela brincadeira que todos os adultos fazem com os bebês, de se esconder e de repende aparecer: achou! Pois é, em francês é coucou.

3- Hop-la! (pronuncia-se ‘ôplá!’)
Algo do tipo: ???

Caracteriza o fim de uma ação. Essa é dificil de explicar porque não temos uma equivalência em português. Sabe aquela ultima cereja que voce põe no bolo, ela fica super bem acompanhada de um hop-la!. Na verdade eu nem sei como se escreve, ja que é mais uma expressão oral mesmo. Na minha aula de mestrado, o professor estava dando maus exemplos de apresentações orais (ok, eu sou o melhor deles). Ele disse que tinha um aluno que a cada vez que virava a pagina das anotações, dizia ‘hop-la!’, acompanhando o movimento. Eu não consegui parar de rir, imaginando a cena.

2- Voila (pronuncia-se ‘voalá’)
Algo do tipo: aqui está, ou pronto

Voila é uma variação mais formal do hop-la!. Os franceses dizem o tempo todo. Também serve como um tipo de ‘viu, eu te avisei!’,voila, voce derrubou o copo. Se alguém come muito, você pode dizer (ou de preferência apenas pensar) voilaalguém que gosta de comer. Quando você termina de assinar um documento, pode dizer, voila!

1 – Oh-la-la (pronuncia-se uh-la-lá)
Algo do tipo: caraca! (para os cariocas, é claro)

O grande classico francês. Eu achava que era mito, assim como quase tudo que a gente diz da Franca, mas não é não! O uh-la-la esta presente no vocabulario diario dos franceses, principalmente nos jogos de futebol. Nesse caso, como a empolgação é grande, o locutor pode ficar repetindo os ‘las’ varias vezes, proporcionalmente ao tamanho da jogada. Eu que odeio futebol, assisto so pra ouvir o cara falando uh-la-la-la-la-la-la-la…. Ao contrario do que a gente pensa, essa expressão não é usada tanto para elogios, mas para preocupações. Tipo, oh-la-la, vai chover a semana toda, putain! (Essa ultima palavra fico devendo para um top 10 palavrões, ;)

kodachrome

Nova York, 22 jun (EFE) - A companhia Eastman Kodak anunciou hoje que deixará de fabricar e comercializar o Kodachrome, o primeiro e mais antigo filme em cor a ser vendidos com sucesso e um dos mais valorizados por fotógrafos profissionais.

Com 74 anos de comercialização, o Kodachrome sucumbe ao avanço da fotografia digital e de outro tipo de filmes fotográficos mais modernos, que fizeram cair as vendas destes diapositivos e encarecer o processo de revelação.

“O Kodachrome é um ícone. Foi uma decisão difícil, por sua grande história, mas a maioria dos fotógrafos de hoje aposta em tecnologias mais novas, tanto digitais, como com outro tipo de filmes”, explicou hoje a presidente da divisão de filmes de Kodak, Mary Jane Hellyar, em um comunicado.

De acordo com o ritmo atual de vendas, o fabricante calcula que os carretéis de Kodachrome desaparecerão das estantes de todo o mundo antes do fim deste ano.

A Nessa já estava reclamando disso:

Eu tô besta de ver que não se encontra mais filme p/b na cidade. Filme, sabe? Aquele rolinho que a gente coloca nas máquinas fotográficas “antigas“. Essa semana fui num laboratório e o cara do balcão usou esse termo comigo: “Você ainda usa câmera antiga?”. Pois é, eu uso. Desculpa aí mundo, eu curto ampliações feitas à mão, no escurinho – queimando uma, duas vezes, até sair do jeito que eu quero, sem photoshop, com paciência, luzinha vermelha, cheirinho podre e bandeijinhas sujas… Me deixa em paz, eu realmente prefiro assim. Dá mais trabalho mas é mais bonito. Eu nem sei fotografar como deveria porque pra mim a mágica toda fica na ampliação. Pqp, como eu curto essa brincadeira! Malditas máquinas digitais e seus preços cada vez mais baixos. E já que eu tô reclamando: maldita preguiça dessas pessoas que cada vez entendem menos de luz e se acham mais arrrtistas conhecedores das lentes.

Demorei tanto pra aprender a fotografar em uma máquina manual, gastava boa parte do meu tempo garimpando lojas de eletrônicos usados em busca de uma Leica e sempre acabava achando uma Nikon decente, que pesava nas mãos. Parece que eu associo isso com máquina de qualidade, mas é uma bobagem. Porque eu lembro que eu tinha uma digital da Fujifilm e quando ganhei uma manual o peso nas mãos me fazia sentir uma fotógrafa de verdade. E a concunhada da Nessa, que por sinal também é minha amiga, a Camila (que fez Artes Plásticas com especialização em Fotografia) me ensinou muita coisa sobre filmes, quais captavam qual cor e como usar o obturador. Mas eu vejo que tudo isso é a vida marchando, sempre pra frente. Tudo vai virar bit, informação, nada vai ser concreto mesmo. A gente pode ir se acostumando com a idéia de tudo ser abstrato.

kristen nó na camiseta

Ainda por causa do filme das Runaways, eis Kristen Stewart e sua marca registrada: nózinho na camiseta. Ela é tipo a Hillary Duff do avesso, com jeans, camiseta amarrada em nó e Chucks (Converse Chuck Taylor – o nosso All Star queridinho). Hot or knot? Eu achei o nózinho na camiseta queridinho e super rock n’roll com uma pitade de roupa de aeróbica dos anos 90. Go Kristen!

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