Clarice, era você a Esfinge? Decifra-me ou te devoro? O cheiro do café coado inunda a cozinha logo pela manhã e os instantes me pegam tão de súbito que me assusto.
É isso, meu deus? O Presente?
Pausa. Porque a luz reflete na vidraça que vira um prisma e firma os segundos. O instante é. Já foi. É de novo. Quando foi o teu instante, Clarice? E faço um pacto com os instantes que se aproximam: páro de caçá-los como O Pequeno Príncipe caçava cometas.
Ouve-me. Ouve o silêncio, você me diz. Porque o que me falas nunca é o que me falas e sim outra coisa. Tuas palavras me fazem querer mudar minha natureza, faz-me querer dançar à sua volta, estonteá-la, surpreendê-la – Miranda que sou.
E é tão inútil, Clarice. Ensinar o near future. Vamos então, você e eu, abolir o going to e com os dentes resumir toda a gramática em present tense.
Simple present.


1 comment
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23/07/2008 às 13:21
Drica
eu tou de érico veríssimo. engraçado ter um nome assim, né. verdadeiríssimo, veríssimo. hehe.
beijo