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A gente vai alugar esse apartamento aí. Ai, ai. Deixa eu contar que é muito bom estar apaixonada e ver a relação indo pra algum lugar? Prontofalei. E essa parede gema-de-ovo, hein? deusquemejesuis. Nem Ferrari dessa cor eu queria. Tá, mas a gente vai pintar. E daí que estamos comprando as coisas pra casa. Nossos gostos são bem parecidos, linhas clean e cores idem. Agora é escolher as milhares de outras coisas pra colocar dentro.
No almoço de domingo. A primeira vez que eu comi peixe espalmado foi na casa da mãe do Giovanni. O pai dele planejou um churrasco catarinense e a mãe dele quase roubou a cena com o peixe assado. Aqui em casa já virou receitinha certeira – até dei meus palpites, como colocar erva-doce no fundo da assadeira.
Eu adoro me aventurar na cozinha e achei uma pessoa que gosta de cozinhar junto comigo. Hoje tem arroz carreteiro (daqueles prontos) com lentilha e lingüiça calabresa defumada e salada de alface com hortelã.
E italiano é um bicho difícil de agradar, mas eu como agora sou a mais italianinha das japonesas já sei (uma teoria que a gente elaborou): se você não quer comer é porque está com algum problema, se não repete o prato é porque não estava bom, se não come pela terceira vez é porque repetiu só pra agradar, sem falar que – NÃO se levanta da mesa depois de uma refeição. Agravante. Assim como cortar o macarrão na hora de comer (enrola na colher, pelamor!) - da série coisas que não se faz.
31/07: Hoje eu estava assistindo aquele programa While You Are Out no People&Arts e o designer resolveu fazer uma moldura pra um espelho enorme colando macarrão na moldura. Ele pergunta pra Leslie (que é a costureira) se ela quer ajudar. I’m italian. I’m not allowed to touch that. Comofas? Well, you’re using pasta to make a frame, it´s like sacrilege to me.
hahahaha.

Desejo à você, meu amor…
Comer pêra do pé
Cheiro de jardim depois que chove
Namoro no portão
Domingo de sol
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Woody Allen
Chope com os amigos
Livro do Rubem Fonseca
Viver sem inimigos
Ver seriadinho na TV comendo pipoca
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Chico com letra de Chico
Peixe espalmado no almoço de domingo
Ouvir sempre uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver o Rammstein tocar ao vivo
Noite de lua cheia na varanda de casa
Rever uma velha amizade
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Levar a vida sorrindo
Ouvir canto de passarinho
Sarar de dor-de-cabeça
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Ir pra França no carnaval
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
E meu beijo apaixonado
Ter sempre um ombro amigo num raio de 100km
Uma tarde amena balançando na rede
Correr comigo no parque
Só pra depois morrer de sede
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Ouvir a chuva no telhado
Vinho tinto e um abraço apertado
Bolero de Ravel…
E muito carinho meu.
*baseado naquele poema atribuído ao Drummond.
“Escuta: eu te deixo ser. Deixa-me ser então.”
“Vou te fazer uma confissão: estou um pouco assustada. É que não sei aonde me levará esta minha liberdade. Não é arbitrária nem libertina. Mas estou solta.”
“Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Vou agora parar um pouco para me aprofundar mais. Depois eu volto. Voltei. Fui existindo.”
“Depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem. Vou olhar agora a minha. É um rosto nu. E quando penso que inexiste um igual ao meu no mundo, fico de susto alegre.”
“Que o Deus me ajude: estou perdida. Preciso terrivelemente de você. Nós temos que ser dois. Para que o trigo fique alto. Estou tão grave que vou parar.”
“Mas eu me alimentei com a minha própria placenta. E não vou roer unhas porque isto é um tranqüilo adaggio.”
“Mas por que esse mal-estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. (…) Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.”
“Para te escrever eu antes me perfumo toda.”
“Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha.”
“O jasmim é dos namorados. Dá vontade de pôr reticências agora.”
“Eu, que corro nervosa e só a realidade me delimita.”
“Mas como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus.”
“Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora.”
“Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar só uma vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor da nossa verdade.”
“Aliás não quero morrer. Recuso-me contra “Deus”. Vamos não morrer como desafio?”
“Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu e você é você. É vasto, vai durar.”
*Obrigada por ter existido, Clarice. Porque é vasto, vai durar.






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