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Até hoje eu não sabia, mas o Ben tem um filho que se chama Dorian. Deve ser um paizão. E essa música, thirteen, é linda. His sha-sha days are gone, I guess. Mas Dorian acho meio pesado, por causa do personagem do Wilde, sabe. Mesma coisa dar o nome pro filho de Malachai ou Damien (abro a exceção pra ele, só).
Entrelaço meus dedos nos pêlos dos gatinhos que dormem ao meu lado. Eles ronronam, os maestros da sinfonia. E eu me aconchego entre as cobertas e leio Cecília, Clarice e Lygia*. E juntas pausamos para o chá.. Não são 5 da tarde, mas sorrateiras me dizem que não somos inglesas mesmo.
E Cecília sorve o chá e me diz que ela não tinha este coração, que nem se mostra. Eu vejo os saquinhos de chá se afundando na xícara e penso no sonho que ela pôs no navio e o navio em cima do mar, para seu sonho naufragar. Cecília é mulher dura, olhos secos como pedras. Eu só respondo que o meu coração também, só se esconde.
Clarice arqueia as sobrancelhas como exímia pescadora de olhares. E retirando o saquinho de chá pelas bordas da xícara diz que, não foi aquele romântico que escreveu uma vez que: amor é sim, ter constantemente o coração aberto, mas é também buscar a tristeza, a solidão e o ermo. Eu me recosto na cadeira e dou risada, digo que acho os românticos verdadeiramente engraçados por natureza. Quando eu era menina, li sobre o poeta que de suas águas-furtadas observava a amada. E águas-furtadas me assombravam. Até o dia que descobri que águas-furtadas é sótão.
E colocando a mão sobre a de Cecília, Lygia diz para ela não se endurecer tanto, porque já dizia a Adélia, que o amor usa o Correio, o Correio trapaça, a carta não chega, o amor fica sem saber se é ou não é. Não se sabe, apenas. E então Lygia acende um cigarro vaporoso e me pergunta o que mais me assombra.
Eu não, mas minha irmã me disse que a história mais assombrosa que ela leu quando pequena foi Rapunzel. Do cavaleiro que atravessava a floresta negra e ficava cego. A rainha louca que a aprisionava em uma torre. E os rabanetes. E eu. Sempre a Mrs. Dalloway, digo à minha irmã, depois de tanto tempo, que estranho se lembrar de uma coisa como rabanetes. Eu e Mrs. Dalloway, ela repolhos e eu rabanetes. Cada coisa. Damos risadas e acendo um cigarro também.
Lygia propõe um café. Café e cigarros, então. E tudo se passa em preto e branco, como se Jarmusch nos dirigisse. Mas o café esfria, o cigarro apaga e elas se despedem. Mas Clarice, já de saída, me pega pela mão e sussurando, me diz: Eu sei, que o seu coração não se esconde não. E com um sorriso, sai levantando a gola da blusa contra a noite fria.
Eu fecho a porta e sorrio também. Clarice sabe mesmo das coisas.
*Cecília Meireles, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles
E eu cheguei de Campinas hoje de manhã e o ipod estava no bolso do casaco. E eu achei a melhor idéia do mundo. Chegar de viagem morrendo de sono e ir lavar roupa. E então que o ipod foi junto com o casaco. Justo agora que ele estava com a discografia dos Strokes, Pixies e Placebo. Quando isso aconteceu como meu celular ele voltou a funcionar quando secou. Há esperanças, então.
E sábado assistimos esse filme:
Joel: I can’t see anything that I don’t like about you.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I’ll get bored with you and feel trapped because that’s what happens with me.
Joel: Okay.
Clementine: [pauses] Okay.
*Na foto, Gi e eu, numa boate dessas onde os caras usam baby look, hahaha. A gente foi ver um DJ e tal e apesar da vodka ser horrível (nem era Absolut, acha) eu me diverti horrores.







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