Acho que se eu pudesse sair deste lugar hoje, eu iria pro Maine. E lá eu procuraria o seu endereço em uma cabine telefônica, dessas que têm a lista telefônica presa por uma corrente (com várias folhas já arrancadas, a das melhores pizzarias), mas é claro que seu número não estaria lá. Mas acho que se eu insistisse e andasse à esmo pelas ruas quentes de Bangor (porque eu iria em julho) eu acabaria te cruzando em algum campinho de baseball, batido de terra. É claro que eu nem ia te falar qual o seu livro que eu mais gosto, só se você perguntasse.
Eu levaria uma 6-pack pra beira de um lago, onde o ar é tão mais fresco e a gente se sentaria ali na beira do píer, com os jeans enrolados (so the tide won’t get us below the knees, já cantava a Chan) e os pés rabiscando círculos na água. E tão logo a noite caísse, acenderíamos uma fogueira pequena e um cigarro e eu faria você me contar histórias e elas nem precisariam ser de terror, porque tão pouca gente sabe o quão engraçado você é. E já no meu próprio saco de dormir, eu ficaria te apontando a constelação de Órion (que no Brasil a gente chama de três-Marias, tão mais simpático, sabe) e procuraríamos formas no céu preto pontuado de giz, ligando os pontos com os dedos.
Enquanto isso, eu me contento com o que há de você em suas páginas.


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17/07/2008 às 15:16
Carta à Uma Escritora « biscoito e chá
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