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Esses dias sem muito o que fazer achei na DVDteca Singin’ in the Rain - aquele filme clássico sobre a transição do cinema mudo para o cinema falado. Eu, que sou apaixonada por dança contemporânea e tudo o que ela envolve: graça, simetria e força – como a companhia da coreógrafa brasileira Débora Cocker; me derreto sempre que vejo o Gene Kelly dançando sapateado ou o Astaire dançando foxtrot, que é dança de salão.

Eu tenho aquele plano que quase todo mundo tem: decidi que quando for velhinha não vou pintar os cabelos, vou usar vestidos rodados e andar com chapéu de palha, cuidar da horta, fumar meus cigarros em paz sem medo de morrer de câncer do pulmão ou da garganta, fazer aulas de danca de salão (forró não!) e ler TODOS os livros da Agatha Christie. Ah é, viajar para a Europa uma vez por ano também.

E então que me deu uma vontade de ter um sapato de jazz. E um colete.

Estou com a carteira de habilitação provisória. Só posso dirigir acompanhada de alguém com mais de 3 anos de carteira japonesa. Metade do caminho andado:

  • prova escrita (em japonês ou inglês) – consiste em 50 perguntas;
  • prova de percurso – sã0 2 percursos e o percurso que faço a prova é sorteado na hora (quem já passa nessa prova pode dirigir acompanhado de alguém que já tenha a carteira japonesa por no mínimo 3 anos);
  • prova escrita (em japonês ou inglês) – consiste em 95 perguntas;
  • prova de rua – dirigir na rua. FIM!

Engraçado que o instrutor já havia me reprovado por muito menos e hoje esqueci de colocar o cinto de segurança, errei o trajeto (que deve ser decorado e seguir o mesmo faz parte da avaliação) e ainda assim passei. Third time’s the charm. Agora é voltar a estudar legislação.

Sabe aquela tela que eu estava pintando? Eu estava muito descontente com o resultado. Não consegui achar os tons que eu queria, mesmo consertando com o pastel à óleo – sem dizer que estava muito diferente da imagem, aquela imagem que eu tinha na cabeça quando comecei a pintar. Fiz uma coisa bem niilista: quebrei o quadro em 4 e joguei fora. Vou começar outro. É que às vezes, recomeçar é bem mais fácil. Entretanto, a idéia permanece.

Páscoa e nem comi chocolate. Não, não estou de dieta (aliás, dieta é um capítulo à parte na minha vida). É que aqui ninguém comemora Páscoa. E não sendo cristã (embora minha criação tenha sido católica e já me disseram uma vez católica, sempre católica, estranho, não?) o feriado não tem conotação nenhuma – a não ser quando eu estava no Brasil, porque daí tem um monte de comida boa. Eu queria ter nascido na República Tcheca, porque além de ser conterrânea do Milan Kundera eu teria milhares daqueles ovinhos pintados à mão, que eles chamam de Krasliche, em vez de ter que ir pra missa aos domingos e não beber na quaresma – porque a Páscoa pra eles é um feriado pagão celebrando o fim do inverno e o começo da primavera.mais itens riscados da minha lista:

item#8: Terminar de ler todas as Crônicas de Vampiro da Anne Rice (10 livros ao todo): – li de julho/2006 à abril/2007

    Vou ler os outros três contos de vampiros (que não fazem parte das Crônicas de Vampiro) e a vida das bruxas Mayfair. Talvez eu até releia todos os 10 livros. Eu faço muito isso – leitura anotada. Agora estou relendo um do Stephen King, The Tommyknockers – porque assim como Mrs. Dalloway da Virginia Woolf, esse livro também se passa em Junho (aliás, Ulysses do Joyce também – mesmo porque quando a Woolf escreveu Mrs. Dalloway ela tionha acabado de ler Ulysses e odiado). Enfim, estou fazendo uma leitura anotada de culinária. Vai ser interessante.item#46: Comprar uma outra câmera digital, com mais megapixels; – ontem saímos para compar um iPod para ELE e de lambuja achei uma câmera de 7.2 megapixels c/ 50% de desconto! Como isso nunca acontece comigo, levei.

1998 play. 4 da manhã de sábado (19 anos): o cigarro acabou, o dinheiro da cerveja acabou (ei! vamos usar o seu dinheiro do ônibus!) – nada de extraordinário aconteceu, aquela banda não tocou minha música favorita, aquele menino nem olhou pra mim, não tem ninguém pra me dar uma carona pra casa e meu pé está doendo desse salto. o povo na outra mesa tá comendo batata-frita. meu rímel já tá meio assim borrado.  ei, já estamos brincando de Six Degrees of Kevin Bacon há horas e minha boca tá seca e o sábado acabou. SSDD, man. Amanhã de manhã tenho que acordar cedo e ajudar minha mãe em casa, lavar a louça, ficar na cama o resto do dia e pegar aquele show de rock à noite. Segunda tenho que procurar um emprego. Mas aí chega sexta de novo e friday I’m in love. SSDD.stop

2000play. casei no começo desse ano e basicamente desde que fui despedida da maldita livraria mega-store ficamos no apartamento planejando a viagem ao japão. escrevi cartas para o amigo da Holanda e a janela da sala dá de frente para o cemitério municipal de maringá – não dá para ver nenhum túmulo, só a copa das árvores. às quartas-feiras têm feira-livre logoaqui do lado do condomínio, vou comprar minhas frutas e comer pastel. a cornucópia da cultura brasileira. aqui no japão é tudo muito cinza. nunca ninguém me disse que aqui no verão é tão quente, tipo quase 40 graus. estou trabalhando na Sony, na linha de produção do Playstation 2.  não temos TV, nem som, nem bicicleta. Aos finais-de-semana criamos nosso próprio mundo: depois de limpar a casa (kitchennete: um cômodo e um banheiro – a cozinha é no corredor) nos sentamos com a janela aberta, eu encosto a cabeça nas pernas dele e enquanto ele lê, eu como pudim. ainda é tudo muito diferente e eu quero que essa sensação de “turista” passe logo, que fique somente a fascinação.

2001play. (22 anos) eu volto do trabalho de bicicleta todos os dias, um trajeto de mais ou menos 25 minutos. eu trabalho em um frigorífico e vejo carne o dia inteiro. o primeiro dia nesse trabalho eu vomitei com aquele cheiro meio podre de carne descongelada. então quando eu vou ao mercado eu só quero ver alface e brócolis, tudo fresco. ando ouvindo muito Morrissey e ELE diz que isso afeta meu humor. ele provavelmente está certo. gosto da solitude dos aeroportos e do caos do tráfego urbano. minha grande dificuldade é manter contato com as pessoas que eu gosto, o que faz  as mesmas pensarem que eu não gosto delas. eu AINDA danço quando ouço Depeche Mode e Devo, mas agora prefiro dançar ouvindo Reiziger. eu AINDA leio Stephen King mas estou fascinada pelos livros do John Irving, que devoro um atrás do outro. estou imersa em Edgar Allan Poe. chego em casa, vou para a varanda ver o oceano pacífico de longe, sento na beirada da porta e acendo um cigarro. saudade do brasil.

play. 25 anos. cortei minha franja curtíssima. saio do trabalho às 16:45 e às 17:00 já estou em casa: costurando roupa de boneca, comendo cereal, assistindo Star Trek (a série original). meu universo: ouvir Kaia, cuidar da minha horta de hortelã que atrai muitas abelhas, fazer meu chá da tarde com pão com creme de ovo e pepino, filmes do Hitchcock, quadros do Magritte. eu AINDA leio Stephen King, mas Poe cedeu espaço à Sylvia Plath. nos mudamos para perto das montanhas, é tão tranqüilo, quase uma coisa meio Walden, sabe? esse ano ganhei um laptop – o primeiro laptop a gente nunca esquece! 

play. 26 anos. chego em casa do trabalho às 18:15 e vou andar na esteira, exorcizar meus demônios. funciona.esse ano fiz a seguinte auto-imposição: ler mais coisas além de Stephen King. Li Susan Sontag, Ray Bradbury, Hemingway, Maugham, Wilde, Virginia Woolf… Tive que fazer isso, porque senão os livros do King me engolem. Comprei uma guitarra usada para tocar Bright Eyes com a toalha enroalda na cabeça – falando nisso tenho que comprar cordas novas porque eu muito amadora estourei o E. de manhã no ônibus vou ouvindo Cat Power e Norah Jones. eu trabalho na Konica Minolta, o refeitório é ótimo, tomo chá verde tosos os dias no almoço. life is good.

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