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Parece que as pessoas que me cercam só lêem livros de auto-ajuda com uns títulos absurdos e livros espíritas. Você gosta, ótimo, mas não faça aquela cara de esse-livro-salvou-minha-vida e empurre o livro para eu ler. Aliás, ultimamente, pessoas têm me oferecido livros que mudaram suas vidas e me garantem: sua vida vai mudar. Olhe, não é por nada não pessoa, mas o livro (ou um dos livros) que mudou minha vida não foi de nenhum guru e certamente não foi psicografado, obrigada.
O Apanhador no Campo de Centeio do J.D. Salinger. Um dos livros que mudaram minha vida, assim como Franny&Zooey, do mesmo autor. O mais perto que eu vi o Holden em um personagem de cinema foi em Igby Goes Down; não que eu queira ver um filme do livro - god forbid. O livro começa com Holden Caulfield, o protagonista, em um hospital psiquiátrico – embora não seja falado, mas para bom leitor, bem, você sabe. E Holden nos contas os últimos 3 dias de sua vida antes de ele ser internado. O livro é meio na linha do Joyce, é contado em primeira pessoa, como se as frases estivessem saindo da cabeça do protagonista, uma coisa BEM Finnegans Wake (comentei sobre esse livro uns posts atrás). Acho que o livro tem mais importância para mim porque eu o li antes dos 19 e acho que eu estava in a Holden Caulfield frame of mind, pode-se dizer. É um livro controverso, Mark Chapman, o assassino de John Lennon dos Beatles, leu o livro e decidiu matar Lennon.
Como escreveu Marco Antônio Bart, do Scream&Yell :
“É bastante possível que você nunca tenha lido O Apanhador. No entanto, se você tem um mínimo de “antenidade” com o mundo que o cerca, muito provavelmente já leu ou ouviu alguma alusão ao livro no cinema, em jornal, revistas ou em outros livros. O fato é que este singelo romance de 1951 virou lenda ao longo dos anos, e fez de seu autor, Jerome David Salinger, um dos maiores mistérios da história recente da literatura. A pequena revolução que O Apanhador causou no comportamento da juventude americana – e por tabela, no comportamento da juventude do mundo todo – ecooa até hoje, fazendo parte da cultura da segunda metade de nosso corrente século.”
É isso. Se você se interessou leia mais aqui.
Falando em Lennon, na manhã do dia em que ele morreu, a fotógrafa Annie Leibovitz (aquela fotógrafa que comentei no post “Alice, Matrix e Donnie Darko”) fez uma foto linda do mesmo, nu, com a Yoko Ono, que acabou na capa da Rolling Stone, na qual ela era chief-photographer. Ela manteve um longo relacionamento com a ensaísta e inteligentíssima Susan Sontag (Styles of Radical Will é um de meus livros favoritos dela, que ganhei do Ale junto com uns livros da Anne Rice e da Nigella Lawson) – mentes criativas e inteligentes se atraem.
Estou viciada em: cat power, tudo que é cinza e prata, pão-de-queijo, filmes do Polanski, café au lait, blush pêssego nas bochechas, palavra-cruzada no jornal, polainas, meninas de franja, jogar tetris e mistura de texturas e padrões ao me vestir. O melhor é agregar: polainas cinzas, jogar tetris tomando café au lait (gelado) e assistir Polanski comendo pão-de-queijo. Cortei o cabelo.
Não foi dessa vez. Precisava de no mínimo 70 pontos para passar no teste de direção e atingi apenas 50 pontos. Marquei outra prova para o dia 09/Março. Oh well…
E não é que o Smashing Pumpkins voltou? J’adore Billy Corgan. Culpa do meu amigo Hans, que me fez gostar de Smashing Pumpkins (e Superchunk) em uma época em que eu era completamente blasé e achava a banda sonoramente chata. Eu lembro que durante muito tempo Disarm foi meu hino pessoal. Eu gostei de Smashing Pumpkins até quando a D’Arcy saiu e a Melissa Auf der Maur entrou no lugar dela – ela que já tocava no Hole (a banda da Courtney Love – ou “a mulher do Kurt Cobain do Nirvana” – essa definição é a pior – mas se bem que eu conheci o Hole por causa do Nirvana). O álbum novo sai em Julho e se chama ZEITGEIST*, apropriado, já que o Smashing Pumpkins foi parte do Zeitgeist musical dos anos 90.
* substantivo em alemão, que significa uma tendência geral de pensamento ou sentimento característico de uma certa época.
Esta é a Chan Marshall, no palco ela é Cat Power. Minha voz arranhada preferida.
E a descrição que a gravadora dela, a Matador Records escreveu é perfeita:
“Chan Marshall faz o tempo parar. Senta-se ao piano ou coloca a guitarra em seu colo e não importa se é um clube cheio de bêbados ou uma cafeteria cheia de pessoas usando laptops, Chan Marshall atrai toda a atenção para si e faz o mundo parar de girar. Como Cat Power, a música de Marshall parece se erguer do nada, envolve o lugar e desaparecer – as pessoas que a ouviram sabem que foram atingidas por algo, só não têm certeza pelo quê. “
Cat Power nos primeiros álbuns me lembrava tanto PJ Harvey, mas desde You Are Free (álbum de 2003) ela me lembra Cowboy Junkies - with an edge. A música amadureceu no indie-rock milieu e depois de gravar The Greatest, Chan superou suas tragédias pessoais como o alcoolismo e agora é (supostamente) o novo rosto de uma coleção de jóias da CHANEL – sim, porque Louis Vuitton não me interessa, mas reverencio CHANEL.
Cat Power “The Greatest” – ouça. MESMO.
Ah é, o cabelo dela é o mais lindo.
Há 3 finais de semana consecutivos estou acordando cedo aos domingos para ir fazer aulas de direção. Minha segunda prova para tirar minha carteira de habilitação japonesa é quinta-feira, depois do almoço. Tenho que saber os 2 percursos, não sei como funciona no Brasil, mas aqui na hora da prova os instrutores não ficam falando “agora vire à direita, estacione aqui, suba aquela rampa” – isso nem é tão ruim, mas os percursos são relativamente longos, duram em média 15 minutos cada. Digo relativamente porque se isso fosse na rua não seria nada, mas em um circuito fechado, dá-se muitas voltas, indo e voltando, virando aqui e alí – e isso confunde um pouco.
Enfim… Estou só em casa. Voltei da aula, comi, pintei, li meu livro e daqui a pouco vou assistir FRIDA.
Falando em livro, risquei mais itens da minha lista:
- item # 8 (ainda em conclusão): acabei de ler os livros The Vampire Armand e Merrick, respectivamente os livros #6 e #7 das Crônicas de Vampiro da Anne Rice. The Vampire Armand não faria falta alguma se não tivesse sido publicado, chatinho, prolixo, um personagem sem carisma algum e uma história que parece ter sido escrita sem esforço – o que acaba sendo lida sem prazer. Já Merrick…
Merrick me fez ter vontade de conhecer a (agora parcialmente devastada) New Orleans em Louisiana. The French Quarter, a cozinha cajun, beber rum Flor de Caña, ver casas pintadas de pink brilhantes com detalhes em branco, ouvir jazz, ver os funerais acompanhados de banda. Merrick é o livro em que vampiros e brujeria se encontram – o que me faz ter mais vontade ainda de ler The Lives of The Mayfair Witches (3 livros). Fazer o quê se adoro ler o que é considerado “bad literature” (só quem me conhece sabe como sou maníaca por Stephen King).
Mas sabe, acho mesmo que tenho que ler Finnegans Wake ou Ulysses do Joyce, só que dessa vez em Inglês. Quando eu dava aulas no FISK de Nagoya back in the day (2000), um outro professor e eu comentávamos: se você consegue ler Joyce em Inglês (e por ler a gente comentava assim: entender os pormenores e tal, porque Joyce é igual vinho, são palavras para serem apreciadas) você não precisa de teste de proficiência em Inglês. Period. Tem alguém aí além de mim que comemora Bloomsday?
Ulysses and Finnegans Wake (in English), please report to the 101 on 1001 page. Thank you.






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