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Deixei minha cama quentinha hoje bem cedo, comi torta de maçã com café au lait e fui à um salão japonês, de ônibus, retocar minha permanente nos cílios. E a dona do salão é muito simpática, sabe falar várias coisas em português pois o filho estuda com brasileiros e usa produtos da Natura. Que coisa.

o diabo veste meias de tweed: (foto acima)

De minha mãe ganhei vários pares de meia calça de inverno da TriFil, que vieram via irmã. Depois fui almoçar super bem acompanhada em um restaurante italiano em que eu comi um spaghetti de frutos do mar de outro mundo e de sobremesa um mousse de frutas vermelhas.

Acabei de chegar em casa, agora vou tomar um banho e estudar (estou estudando leis de trânsito para tirar minha carteira de habilitação japonesa).

Minimalismo é a tendência em reduzir tudo ao seu estado fundamental e necessário. Embora eu não concorde com muita coisa da cultura japonesa – eu adoro como os japoneses têm a capacidade de transformar o mínimo em máximo. Estaria o minimalismo japonês intrinsecamente ligado ao zen budismo na medida em que não precisamos de muito para ser feliz? Os monges mesmos dizem que a comida que entra em seu corpo durante um dia cabe na palma de suas mãos.

Eu acho interessante observar pequenos padrões de minimalismo se repetindo e se espelhando em várias facetas do cotidiano - como a alga (nori) do sushi se assemelha à um Obi (faixa de um kimono ou um yukata) e coisas assim. Dia desses me desfiz de 2 sacolas enormes de coisas que não uso mais. E nada daquilo me faz falta.

E ainda assim, muita coisa me faz. Falta.

Hoje eu até que não odeio a Lya Luft. Me interessei por ela ao ler uma de suas colunas na revista Veja – interessei-me porque odiei-a à primeira lida. Achei clichê e deveras sentimental. E como sempre pesquiso um(a) autor(a) antes de ler alguma de suas obras, descobri que a Lya Luft traduziu para o português o livro The Bell Jar ( a redoma de vidro) da minha amada Sylvia Plath.

Li a Lya por causa da Sylvia, veja só.

O David Bowie, o eterno camaleão do rock, uma vez disse que você não olha para o Warhol (Andy Warhol, artista plástico americano) e pensa “aquele cara que pintou latas de sopa”, mas sim “o que aquele cara tem de tão interessante que o fez pintar latas de sopa?”. E o mesmo sucedeu-se com a Lya – o que ela tem de tão interessante que a compeliu a traduzir Sylvia Plath?

“Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.” - LYA LUFT, escritora.


Assisti Little Man Tate mais uma vez. O filme é brilhante. O que há para não gostar? Jodie Foster e Harry Connick Jr. (menino-jazzístico que adoro). Sem falar nas telas que o personagem Fred Tate pintava. Não tenho a força criativa para telas como aquela da cabeça de aquário. Só a fotografia me salva e me acalenta, porque nela me encontro: minhas lentes não me julgam, elas são a melhor parte de mim, a parte que a maioria das pessoas não vê. Quando assisti Lost in Translation, a personagem Charlotte diz que já tentou fotografar, mas suas fotos são medíocres, apenas fotos de seus próprios pés e que toda menina tem uma fase de fotografia, como a fase de gostar de cavalos – me vi completamente nessa situação. Hoje não me preocupo mais em ser brilhante (embora eu seja um tanto perfeccionista) e ver um propósito em tudo. Aprendi dar valor ao improviso, ao inesperado e tudo bem se eu tirar fotos de meus próprios pés.

foto: “a contorcionista” 2003, giselle imai.

Amar;
Dar risada ao telefone com minha mãe e minha irmã;
Ler um bom livro;
Comer melancia em um dia de calor;
Andar em meio ao verde;
Aprender línguas;
Um beijo apaixonado;
Ouvir uma história engraçada ou estranha;
Dormir bem;
Ficar na cama até mais tarde aos domingos;
Receber um presente inesperado;
Uma xícara de café pela manhã;
Comer alguma coisa que eu estava com vontade de comer;
Ouvir um elogio sincero;
Encontrar algo que pensava ter perdido;
Gatos e cachorros;
Ouvir notícias de pessoas que gosto e não vejo há muito tempo;
Olhar fotos antigas (e não só as minhas);
Cheiro de cabelo lavado;
Chocolate amargo;
Trabalhar com as mãos;
Dar risada;
Ser compreendida sem ter que me explicar;
Um sorriso de verdade;
Cozinhar alguma coisa e alguém dizer que está uma delícia;
Brincar na neve como se eu fosse criança;
Assistir O Mágico de Oz e cantar junto as músicas.

27 coisas que alegram meus dias para os meus 27 anos.

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